Numa noite de sábado, sentei-me com uma amiga num daqueles restaurantes estrangeiros que cheiram a carne frita, molho picante e arrependimentos. Falava-me de alguém - "Ele está confuso", disse ela. "Precisa de tempo. De espaço. Mas eu sei que ele ainda gosta de mim."
Pedi uma cerveja. Sorri com pena. Porque eu também já estive ali. A acreditar que com o gesto certo, a frase certa, o timing perfeito... podíamos fazer alguém ficar.
E foi nesse momento, com o meu iPhone a vibrar e a cabeça cheia de déjà vus sentimentais, que não pude deixar de me perguntar: Como é que se convence alguém a ficar?
Long story short: não se convence.
Podemos vestir a melhor camisa, escrever a melhor, mais pensada mensagem, servir o melhor jantar, segurar o olhar até o silêncio ficar desconfortável. Podemos amar com tudo. Mas ninguém fica porque o outro se esforça mais. As pessoas só ficam quando querem.
E talvez essa seja uma das grandes crueldades do amor: ele não se impõe. Pode ser verdadeiro, generoso, cheio de promessas e possibilidades. Mas se não for recíproco - ou se o outro não estiver pronto para o que temos para dar - não há milagre, feitiço, ou sacrifício que o mantenha ali.
Durante anos, achei que amar era lutar. Mas agora, começo a achar que amar também é aceitar. Aceitar que, por vezes, o que sentimos não é suficiente para segurar alguém que já está com um pé de fora. Que não é covardia deixar ir - é respeito próprio!
Talvez devêssemos trocar a pergunta. Em vez de "como é que se convence alguém a ficar?", talvez devêssemos perguntar: porque é que ainda queremos convencer alguém que claramente quer ir?
Porque às vezes, o maior ato de amor - por nós - é não implorar. Não negociar. Não dramatizar. É só abrir a porta com um nó na garganta, relativizando, e com a dignidade intacta.
E acreditar que quem quiser mesmo ficar... não vai precisar de ser convencido. Vai só ficar.
Simples assim. Triste assim. Real assim.
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