Mais de 20 anos e a mesma insegurança: tentando fazer as pazes com meu próprio corpo

A insegurança é algo que muitas pessoas carregam em algum momento da vida. No meu caso, ela aparece de várias formas, mas existe uma que sempre se destaca: a forma como eu me sinto em relação ao meu próprio corpo.

Durante muito tempo, tive a sensação de que essa insegurança acabava fechando portas para mim. Não necessariamente porque as pessoas fechavam, mas porque eu mesma deixava de atravessá-las. A maneira como enxergo meu tamanho, meu peso e minha aparência costuma ocupar espaço demais nos meus pensamentos, principalmente quando estou perto de pessoas novas.

Essa sensação aparece com força em situações sociais. Conhecer gente nova, conversar, criar conexões (coisas que deveriam ser naturais) muitas vezes se tornam difíceis para mim. Antes mesmo de qualquer interação acontecer, minha mente já está imaginando o que os outros podem estar pensando sobre mim. Essa antecipação constante de julgamento faz com que eu me afaste das pessoas no geral, mas principalmente quando existe a possibilidade de algo romântico.

Por muito tempo, consegui que isso fosse apenas uma fase. Quando eu tinha 15 anos, acreditava que era apenas uma insegurança típica da adolescência, algo que o tempo resolveria naturalmente. Eu pensei que, quando fosse mais velha, isso simplesmente desapareceria.

Mas os anos passaram, e hoje, com mais de 20, percebi que essa sensação ainda está presente. A insegurança não estava isolada sozinha como eu imaginava que aconteceria.

Mesmo assim, existe uma coisa que continua clara dentro de mim, o desejo de mudar isso. Eu gostaria de conseguir vencer essa barreira que parece existir entre minha mente e meu próprio corpo. Gostaria de me sentir mais livre para viver experiências, conhecer pessoas e me permitir existir sem que o medo do julgamento esteja sempre no controle.

Talvez esse processo não seja rápido, e talvez não exista uma solução simples. Mas a importância dessa dificuldade já é, de certa forma, um primeiro passo. Porque, no fundo, o que eu realmente quero é aprender a habitar meu próprio corpo com mais gentileza (e não deixar que a insegurança continue decidindo por mim).


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