eu estou cansado de escrever. Queria que isso terminasse, que esse fosse o último blog... mas eu nunca consigo enxergar um fim pra essa dor. Nunca acaba. Nunca diminui.
você se lembra de quando éramos crianças e eu inventei o dia da troca de brinquedos? Era toda sexta feira e nos trazíamos um dos nossos brinquedos para que nós pudéssemos trocar. Lembro que escolhi ser na sexta pq daí a gente podia passar o fim de semana brincando com os novos brinquedos. Lembro que em uma dessas sextas você me deu um brinquedo de cocoricó, não gostei muito pq era de plástico, basicamente uma estátua e não fazia nada. Mas levei pra cada lado da casa porque era um presente. Um presente seu. Você se lembra? Era uma galinha vermelha de óculos. Lembra? Nessa época eu gostava de levar brinquedos para o banho para poder brincar lá. E levei a galinha comigo uma vez, mas não me lembro o motivo, eu não levei ela de volta. Deixei ela no cantinho do box do banheiro, perto da parede. E lembro que ela ficou lá por um tempo, tempo suficiente para eu lembrar disso, dela lá. E agora sempre que olho para o canto que ela estava, eu lembro de você. Lembro desses dias infantis que a gente ficava brincando de polícia e ladrão, de ficar contornando a árvore tentando não cair de suas raízes. Da gente em cima do morrinho, de você na minha cama. No meu Pc. No meu quarto. Na minha vida. Machuca, porque por mais que eu tente te tirar da minha vida, você continua em toda parte. Até no cantinho do meu banheiro. Tudo pertence a você. Todas as partes da escola, todas as partes da minha própria casa. Todas as partes da minha mente. É cruel. Cruel demais e machuca demais. Não me lembro muito como você falava comigo. Não me lembro muito das nossas conversas. Lembro do que a gente falava, mas não me lembro das palavras. Não me lembro das mensagens. Não tenho vídeos, não tenho mais nada. Você se foi, mas continua aqui. Uma parte de mim tem medo e esperança do fim das aulas, porque nunca mais irei te ver. E então esse diálogo se repete em minha mente milhões e milhões de vezes: "eu sei que tô conseguindo me virar sem ela, é só que esse é o último ano pra ela voltar e depois eu nunca mais vou ver ela, vai ser muito difícil não ter mais ela." "eu já não tenho mais ela." E é estranho não te ter mais... você está nos livros. Na poesia. No meu quarto. No meu banheiro. No meu cachorro. Na minha mente. Na escola. Na vida. Em toda parte... menos ao meu lado. eu queria que você tivesse ao meu lado.
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