Essa flor que um dia foi minha, que um dia encheu meu coração de alegria, hoje, já não me pertence como um dia pertenceu. Essa flor bela como uma tarde chuvosa, como um sonho de infância, como meu primeiro amor, anda por essas terras das quais eu nunca pisei, e que uma vez eu já quis conhecer. Talvez eu visite, talvez não, pois afinal, já não alcanço seu coração. Essa flor egoísta, apática e insensível, que usou de meu corpo para ser plantada, e agora usa de minhas lágrimas para ser regada.
Eu odeio essa flor que brilha, odeio esse sorriso que ilumina meu dia, odeio a delicadeza e a sensualidade que ela me transmite, eu odeio a humanidade cruel que habita seu ser, e odeio ainda mais não conseguir te esquecer. Essa flor que morreu para mim, ainda não me deixa seguir, apesar de não estar aqui, eu ainda consigo te ouvir. Acho que essa flor domina meu coração, e preciso de ajuda para fugir. Mas, e se ela voltar? E se eu perdoar? Não quero mais te olhar, mas sei que quero reatar. As ações deixam claro, que seu veneno sempre existiu, suas espinhas me cegaram e me fizeram acreditar no seu amor. Agora sei que os Anjos estavam certos, a mão que afaga é a mesma que apedreja, a boca que me beija escarra em mim como nada. Então, minha flor, pegue sua quimera e deixe-me viver, porque assim talvez eu consiga te esquecer
PS: isso não é sobre flores
-Abel
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