Quando entraste em minha vida,
foi como um fogo ardente
que queimava e aquecia meu peito.
Tu eras meu tudo, meu coração,
aquele por quem eu havia clamado
em minha oração.
Logo em mim fizeste abrigo,
e eu em ti achei carinho.
Logo eu, alguém que agora descobriria
o significado de cativo.
Urso maldito…
teu abraço, que antes era meu abrigo,
hoje se tornou meu castigo.
Abraços das músicas dançadas,
das promessas construídas,
das cartas escritas,
dos presentes recebidos,
do amor que foi embora sem aviso.
E um dia tu te enfiaste naquela caixa de brinquedos velhos
e foste embora sem demonstrar receio.
E eu, tolo, ansiava por teu retorno.
E aquele conforto que um dia jurou estar comigo
agora partia sem sequer se importar.
Hoje permaneces na caixa que escolheste para ficar,
e eu preferi nunca mais olhar.
Da minha existência tu esqueceste,
e a mim só resta seguir em frente,
fingindo que também te esqueci.
Do rancor que guardei de ti,
saiba que foi para amenizar a dor.
Pois a raiva que tu me causas dói menos que a tua falta.
Um apego antigo, costurado nas mentiras do meu castigo.
Seis páginas de uma confissão
que no final jogaste em um baú de memórias sem razão.
Para ti, uma fase e um aprendizado.
Para mim, o fim de um cativo mal-acabado.
Sentirei tua falta eternamente, meu ursinho.
Mas, se perguntarem a mim o que penso sobre ti, meu querido,
juro que direi que não me importo contigo.
Que continues trancafiado naquela caixa,
que de lá jamais saias.
Pois teu retorno não me causa conforto —
me causa dor.
Dor de um antigo amor
que agora, por mim, finge ter carinho,
que agora só quer ser de mim um bom amigo.
Não te cansas de me machucar?
Tua ausência me dói, tua presença também.
Podemos, por favor, voltar ao passado?
Para que tua existência eu possa apagar?
Para que aquela caixa seja destruída antes que tu possas te trancar?
Ou que meu coração seja trancado, para que assim não possas entrar?
Podemos voltar ao passado
e nossas memórias apagar,
enterrá-las em um cemitério distante,
com uma placa proibindo qualquer um de tocar?
Assim fica mais fácil para mim te superar.
— Ao urso de pelúcia que eu ainda amo tanto, mas que me recuso a amar.
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