Há 31 anos, Roland Orzabal ou Raoul Jaime Orzabal de la Quintana (seu nome de batismo, que foi alterado pelos pais posteriormente), lançou Raoul and The Kings of Spain, o quinto álbum de estúdio de Tears for Fears. O disco marca o segundo e último trabalho do grupo sem a presença de Curt Smith, consolidando Orzabal como força criativa absoluta naquele período.
O ano de 1995 foi emblemático para a música: o britpop explodia, discos como The Bends (Radiohead), Mellon Collie and the Infinite Sadness (The Smashing Pumpkins) se destacavam, e bandas de rock progressivo como Spock’s Beard e Porcupine Tree deixavam sua marca.
Nesse contexto, Raoul and The Kings of Spain se diferenciava por seguir uma estética própria, seguindo suas próprias raizes e longe das tendências dominantes.
Se Elemental (1993) lidava com a saída de Curt Smith, Raoul and The Kings of Spain é muito mais pessoal e inventivo. O próprio título deixa evidente: Raoul é Orzabal, e os “Reis Católicos da Espanha” remetem às suas origens familiares. O álbum é como um diário em forma de música, que mistura confissões íntimas e cria uma narrativa própria que passa por todas as faixas.
Orzabal também aproveita a estreia da banda na Sony para reafirmar sua identidade sonora. Diferente de trabalhos anteriores com o estúdio Mercury, o álbum recebeu várias versões ao longo do tempo: o lançamento original, a edição deluxe e a edição remasterizada (2009). Faixas adicionais como ”Until I Drown” e “War of Attrition” evidenciam que mesmo os registros fora do álbum são carregados de intensidade emocional e cuidado musical.
O álbum ainda mantém a ideia dos dois lados como se ainda fosse pensado para o vinil. As cinco faixas iniciais compõem o primeiro lado, de forma sincera e emocional.
O início é marcado pela faixa “Los Reyes Católicos” e o fim também, o que trás uma ideia de ciclo. Em algumas faixas, acusações e questionamentos (algo recorrente na obra de Tears for Fears) são apontados, como em “Sorry” (“Will you love or do you hate? Why do you hesitate?”) trazendo um pouco de amargura.
No segundo lado, algumas faixas evidenciam também a fase experimental de Roland Orzabal, como “Humdrum and Humble” e “I Choose You”, com bases mais introspectivas porém profundas, com alguns resquícios do pop dos anos 80. Depois das faixas “Don’t drink the water” e “Me and My Big Ideas” (que conta com a participação de Oleta Adams), o lado finaliza com “Los Reyes Católicos” novamente, fechando o ciclo de forma suave e contemplativa.
Mesmo sendo um dos álbuns menos bem-sucedidos da discografia do Tears for Fears, a obra se mantém relevante. Orzabal transforma o álbum em algo coeso, com seus arranjos, letras e produção, somados à narrativa histórica e pessoal. Este é sem dúvidas um dos discos mais importantes da banda, com hinos que continuam vivos mesmo décadas depois.
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