De fato, parece uma afirmação absurda, mas venho por meio deste blog atestar e reconhecer esse súbito pensamento que me ocorreu hoje.
Não me entenda mal, sou plenamente capaz de me apaixonar, não tenho nenhuma restrição psicológica ou emocional que me proíba de sentir afeição genuína por um objeto de interesse romântico. Meu grande problema é simplesmente não conseguir deixar as unhas da mão crescerem, parece puro descontrole e falta de disciplina, exceto que é exatamente isso e eu até tento me justificar (sem razão e sem solicitações de justificativa): "Toco violino"; "Atrapalha grafia e digitação"; "Me enfraqueceria na hora de uma eventual briga" e outrora, pros mais íntimos posso aderir ao constrangimento coletivo de dar detalhes sórdidos sobre possíveis machucados durante masturbação, evitando assim, mais perguntas as quais não gostaria de despender tempo pensando em uma resposta que camufle minha negligência estética, disciplinar e até mesmo higiênica, afinal, sou da área da saúde e sou bem crescidinha para saber os malefícios de roer as unhas.
É infantil, demonstra até mesmo uma imaturidade da minha parte, e é nesse ponto que minhas unhas curtas, pequenas e tortas se relacionam com os meus romances fracassados, até certo ponto. Veja bem, eu me considero um ótimo partido e sou adepta do dialogo, mesmo que exaustivo, desconfortável e inconveniente, como posso não ter tido UM único relacionamento que posso me orgulhar minimamente de ter tido? soa contraditório, mas se alguém me perguntar, farei um monólogo nostálgico e saudosista falando alguma besteira sobre usar o passado de conselho e que toda experiência é válida e proveitosa de algum jeito, TUDO NON-SENSE, um balbuciar tolo de uma palhaça com ego ferido, não há nada para festejar entre um paspalho traidor e um asno emocionalmente imaturo. Mas vou ser franca aqui, eu também tenho culpa no cartório, a mitomania hedonista de uma jovem com a libido alta ou simplesmente posso culpar os amores líquidos desse capitalismo tardio, de qualquer forma, errei fui mlk.
O ponto chave é a falta de disciplina e imaturidade que estão presentes tanto em um ato frívolo, simples e até mesmo nojento como comer as unhas da mão, quanto em manter um relacionamento transparente e saudável, sem deixar minhas inseguranças me guiarem por um caminho que terá que ser ocultado ou machucará meu parceiro chateado (você sabe exatamente à que me refiro, ou não, isso pode ser interpretado de várias maneiras), não, nunca trai ninguém (que eu lembre) e creio que eu lembraria, pois a culpa me corroeria, eu acho. DE QUALQUER JEITO, apareci aqui pois esses dois mundos estão colidindo, estou apaixonada e deixando as unhas crescerem, isso significa que eu tenho algumas pontas soltas para cortar antes de iniciar algo e tenho algumas quinas que precisam se manter intocadas, com auxilio de diálogos difíceis e esmalte preto, espero que ambos durem, não vou fazer pastas de nail art no pinterest e nem sair declarando meus sentimentos pelo mundo (se qualquer um dos dois der errado é mais fácil fingir demência e ativar o mecanismo de proteção de ego que eu carinhosamente chamo de "eu nem queria mesmo").
Espero que a minha unha cresça bem, afinal, não posso me acomodar em algo que não cumpre minhas expectativas só pra me colocar em uma persona evoluida e fazer o que todos esperam que eu faça, independente dos meus sentimentos. Mudar não é ruim, permanecer na infeliz mediocridade da quebra de expectativa que é, ou seja, se eu ficar feia de unha longa e me incomodar, eu vou cortar.
Tomara que a carapuça tenha servido (isso também vale pra relacionamentos amororos no geral).
Infelizmente não estou com paciência para enfeitar esse texto todo, mas é de coração.
Minha pra sempre,
Cacau.
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