Vale de lágrimas - Isabelle Torres
A alma caminha vestida de cilício,
Em meio a ventos e súplicas,
Em busca do Céu prometido.
A cruz carregada nos ombros,
Sinto a quietude dos altares,
E em cada sofrimento, relâmpagos e oceanos,
Surge um mistério antigo.
As velas derretem,
A multidão clamando por piedade.
Os gritos ressoam no vento,
E o Céu finge não escutar.
Maria derrama lágrimas à sombra do Calvário,
E eu, distante da luz,
Peço perdão ao pé desta cruz,
No chão regado ao lamento do sudário.
As rosas da santa não caíram,
Tremi entre os espinhos;
Mas mesmo sozinha, desorientada em meus caminhos,
Sei que a esperança é uma flor que não se troca.
Maria, no vale da tristeza,
Em meio ao desespero, clamo pelo teu nome;
Pois tenho consciência de que em você,
Renasce a tranquilidade e todas as promessas.
E quando finalmente terminar minha trajetória,
No Céu que nunca se cansa,
Que eu possa ver os arcanjos e a esperança eterna.
Converta em luz minha alma flagelada.
Comments
Displaying 0 of 0 comments ( View all | Add Comment )