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— É O Jeito Que Meu Sangue Derrama


é o jeito que meus batimentos parecem se esvair entre as cavidades onde ficavam meus olhos, agora vazias.


é o jeito que as flores me olham com desgosto, como se eu não pertencesse ao canteiro, e de fato não pertenço, minhas pragas se espalham pelo solo fértil, contaminando tudo ao redor que floresce ou respira.


é o jeito que a fome deixou meu estômago e subiu a minha mente, faminta de si mesma, alimentando-se do que resta e do que não existe, cravando por aqueles sentimentos que pareciam tão vividos, agora estão mortos.


é o jeito com que meu rosto se destorce em uma amálgama de carne, grudenta e viscosa, dentes virando ao contrário e 

devorando, 

mordendo,

despedaçando.


me matando


é o jeito que dentro da minha caixa torácica parece frio, minhas veias parecem roxas e meus lábios pálidos, como se o vital que habita meu corpo viesse apenas de passagem.


é o jeito que a complexidade dos sentimentos de alguém só podem ser distinguidos por uma pessoa que a compreende, que a abriga e que suaviza tua existência.


é o jeito que suas pétalas tem um efeito suave em minha pele, me tocam como as pontas dos teus dedos, tem o teu cheiro e seu frescor.


é o jeito que eu odeio gardênias


é o jeito que escrevo essas palavras melancólicas com dor estridente no peito, e neblina cobrindo as mãos. A caneta fala por si só, o cheiro da tinta me invade e é a única coisa que traz conforto á este vazio abissal que eu me atrevo, e desobedeço, ao chamar de coração.


posso te contar um segredo? eu estou lá fora. em algum lugar.


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