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Category: Friends

Não tenho amigos

Ando percebendo que não tenho amigos. Nenhum amigo mesmo. Zero amigos!!

Passo os dias sozinha, sem conversar com ninguém de verdade, nem com a minha própria família que mora comigo. Com eles, troco apenas algumas palavras por dia, nunca é uma conversa real. Ninguém me manda mensagem, ninguém me chama para sair. Eu quase não saio de casa.

A única pessoa com quem tenho conversado ultimamente é meu namorado, mas eu queria ter amigos, queria ter um grupo. Sair com eles num sábado à noite para beber e conversar. Mas não tenho ninguém. Sinto isso há bastante tempo. O ano inteiro foi atravessado por essa sensação de não ter nenhum amigo.

Eu não sei fazer amigos. Depois de tantas tentativas frustradas, chego à conclusão de que talvez eu não tenha nascido para isso. Mas sei que essa ideia não é um fato, é só que sou mais sensível, penso demais antes de falar e tenho medo de incomodar. Me acostumei a ser a pessoa que escuta, não a que puxa o assunto. Sei lá, é uma mistura de timidez com a falta de um espaço onde eu me sinta segura.

Para mim, amizades não nascem apenas de assuntos, mas de convivência e de um mínimo de abertura, mas sei lá, nunca tive alguém que "puxasse" o vínculo junto comigo. Sempre estive em ambiente onde já existiam grupos fechados e eu me sentia invisível.

Conversar não deveria ser uma performance, não deveria ser sobre ser interessante o tempo todo, mas sei lá 😭😭😭😭😭😭😭 eu simplesmente não sei mais também, não sei mais como agir.

Estou sem rede de apoio, e por isso a solidão pesa tanto agora. Passei por uma grande perda de vínculo com alguém recentemente e, embora meu namoro seja um grande apoio, ele não pode ser tudo. Existe pouca troca de papo dentro de casa e quase nenhum vínculo fora dela.


Quando imagino ter amigos, o que mais desejo é alguém que goste de mim e me compreenda de verdade, porque às vezes acabo me distanciando quando não estou bem. O problema é que as pessoas parecem interpretar meu silêncio como rejeição, ou elas necessitam de presença constante ou somem quando não recebem um retorno imediato. Não acho que isso seja uma incompatibilidade minha, acho que é apenas um desencontro de linguagens emocionais.

Eu queria amigos que entendessem meu silêncio e não levassem para o lado pessoal. Pessoas que gostassem de conversas profundas, mas também de bobeiras, e que me incluíssem mesmo quando eu não pedisse. Eu acho que eu não deveria precisar ser falante, engraçada ou extrovertida para ser escolhida. Eu deveria poder ser eu mesma, sem que isso fosse uma "punição" para mim ou para o outro.

E tipo, eu não acordei um dia e decidi me sentir assim.

Isso começou quando eu era mais nova e tive amizades muito cocozinhas. Quando amigas param de falar com você do nada, sem briga, explicação ou despedida, especialmente na infância, acaba marcando. Fica a mensagem de que "as pessoas vão embora sem aviso" ou de que "algo em mim faz elas irem". Esse abandono repetido criou em mim a sensação de que os vínculos são temporários e me fez querer me proteger, seja em amizades ou namoros. Aprendi a ocupar menos espaço, a falar menos, a não incomodar e a não exigir.

Por isso, é muito real para mim quando digo que nunca tive um amigo de verdade. Alguém pode dizer: "Ah, mas você teve pessoas ao seu redor". Mas ter pessoas não é o mesmo que se sentir escolhida, sabe? Não é o mesmo que sentir constância, segurança e permanência. Nunca tive alguém que realmente ficasse, que tivesse escolhido ficar.

Racionalmente, sei que no futuro não será sempre assim. Mas, até agora, sempre foi. Às vezes penso que sou alguém "difícil de ficar", ou difícil de entender. nao sei

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