Às vezes acordo sem saber se estou na minha cama ou em algum lugar que só existe enquanto meus olhos estavam fechados. Cada sonho é um corredor com portas que não levam a lugar nenhum, ou talvez a todo lugar. Eu tento anotar, mas as palavras nunca são suficientes — elas escorregam como fumaça. Meu diário de sonhos é uma coleção de sussurros e sombras. Não sei se alguém vai ler, e sinceramente, não espero que entenda. Aqui, cada frase é um pedaço de algo que não quero esquecer, mesmo que ninguém mais faça sentido disso. Se você estiver curioso, entre. Mas cuidado: os sonhos que eu deixo aqui podem querer ficar com você também.
OUVINDO SOMBRAS (ECOS DO SR.SORRISO)
As salas mudavam como se o mundo tivesse falhando, balões perfeitos demais flutuando no vazio. A rebelião parecia um erro do cenário, e eu corria sem saber de quem. No final, dedos invisíveis nos meus ouvidos, meu corpo travado, sombras esperando. Os olhos laranja do Sr.Sorriso eram faróis no escuro, sempre lá, sentado na minha cadeira, observando como se soubesse de algo que eu não sei.
BALÕES QUE OBSERVAM
Minha mãe falava coisas quebradas perto da piscina, tudo um caos. De repente, eu tava no meu quarto, máscara nos olhos, e meu pai entrou mesmo com a porta trancada, falando frases sem sentido enquanto o peso dele afundava minha cama. As cenas quebraram de novo: Slimes roxos caindo do teto, depois um de carne que me fez travar. No final, meu quarto ficou cheio de balões idênticos, alinhados de mais, me encarando sem olhos.
CADEIRAS QUE NINGUÉM VÊ
As pessoas chegavam perto de mais, todas querendo algo de mim que eu não queria dar. Eu falava do meu corpo como se fosse uma roupa errada que não servia, e ninguém me ouvia. Os cenários trocavam como telas quebradas e minha mãe carregando peso de mais, o centro da cidade derretendo nos cantos. Uma mulher surgiu do nada, empurrando um emprego na minha mão como se fosse um castigo, dizendo que eu "não queria nada da vida". Doeu mais do que deveria.
Meus ex apareceram como ecos antigos, e meu melhor amigo virou as costas só porque não quiz abraçar. A cadeira vazia piscava e eu botei meu amigo imaginário ali, para não parecer tão sozinho.
No final, a cozinha antiga voltou como um lugar preso no tempo. A voz do meu pai ecoava pela casa, cheia de raiva, e meu peito apertou como se tivesse voltado anos atrás. Acordei com o coração ainda batendo no escuro.
PISCINA E INFÂNCIA FRAGMENTADA
A noite tava calma e azulada, e eu estava parado na beira da piscina, com a chupeta na boca como se o tempo estivesse derretendo ao meu redor. A esposa do meu amigo apareceu na cena, mas não estranhou nada — só sorriu, suave, como quem entende coisas que não são ditas.
De repente, tudo mudou com um clique. Eu apareci no meu quarto da casa antiga, iluminado por aquela luz amarelada de memória distante. Minha amiga estava lá também, só que mais jovem, quase uma lembrança andando sozinha.
O toca-CD tocava uma música que parecia vir de um outro plano, meio arranhada, meio doce.
Então o ar começou a se mexer e surgiram vários cachorrinhos fofos, como se tivessem sido chamados pelo meu coração. Eles vieram até mim, e eu abracei cada um, sentindo aquele calor macio que só sonho consegue ter. Tudo parecia leve, nostálgico e um pouco mágico — como se eu estivesse andando dentro de uma lembrança que não sabia que tinha.
CORREDORES QUE ME ENGOLEM
Corredores infinitos. Um cientista distorcido prende uma mola no meu peito, choques estalam no ar. Fujo tropeçando entre sombras com sorrisos falsos que cochicham “me encontre”. Máquina de refrigerante brilhando no vazio, Pepsi gelada como glitch.
Dexter e Doakes correndo ao longe. O verdadeiro Sr. Sorriso me captura. Um centauro gigantesco surge, imune a tudo. Sapos, salas sem sentido, pessoas entrando num ônibus que não me espera. Caio no chão… e acordo com uma mão desconhecida no meu ombro.
IDENTIDADE CORROMPIDA
O mundo misturava tudo de repente: um caçador de fantasmas me olhava com desconfiança e sua máquina me dava calafrios. Dinossauros surgiam do nada. Um PC antigo brilhava e eu navegava numa web que não existe mais como se nada fosse estranho. A cidade virou pós-apocalipse, cheia de gente ruim, e eu fugia com uma amiga que apareceu do nada, nos escondendo de homens perigosos. Em meio ao caos, virei o Kaleb do TikTok e me disfarcei de mulher. Tudo parecia ao mesmo tempo normal e errado, como um glitch na realidade.
O CHÃO REPETE, EU TAMBÉM
Joguei The Sims. Criei bonecos que não eram humanos; Ou fingiam ser.
As salas se multiplicavam Portas levavam a portas Corredores longos, vazios Lugares de passagem que não levam a lugar nenhum
Tudo embaralhado Tempo errado Espaço errado
Um corredor ficou preso na memória paredes azuis demais chão quadriculado colorido cores que não combinam ladrilhos repetindo o mesmo padrão
Ninguém ali... Só eu andando. Como se o lugar estivesse me observando
Acordei. Mas o corredor continuou aberto
RECEITA QUE NUNCA DEVERIA SER ANOTADA
Pesadelo estranho, com sensação de sonho febril e totalmente desconexo. As cenas mudavam sem lógica: uma criatura cadavérica vivendo num cogumelo, alguém roubando uma moeda, uma receita absurda com massa de bolo, confeitos e olhos recortados sendo ensinada enquanto eu era filmado. Depois, uma casa antiga e podre, gavetas enferrujadas, paredes descascadas, pessoas que me ignoravam e um motoqueiro que causava medo. No fim, dois cachorros (um rottweiler e um buldogue preto) me encaravam ao som de uma música aguda e irritante. Acordei suado, com o corpo quente, como se o pesadelo não tivesse acabado direito.
CICLO DE DOR E RISOS
Pássaro me bica sem fim. Corredores sem portas, portas sem saída. Gente pergunta sobre shifting, eu corro. Caio. Um dedo na minha boca, riso estranho. Costelas apertadas, dor e cócegas dançam juntas. Minha mente sorri no caos. Acordo. Tudo é confuso, tudo é bizarro, tudo dói.
TRÊS CANAIS DE CHOCOLATE
Cai em outro sonho, macio e estranho. Eu assalto um mercado, depois visto cosplay de Astolfo. A calda do bolo de chocolate dança sob o vento das hélices de um helicóptero Televisão de tubo mostra só três canais. Tudo muda sem aviso, tudo flutua. Sem medo, só estranheza suave e divertida.
BONDINHO DE SOMBRAS E DINDIN
Fuga. Pai. Criminoso. Casa falsa, portas que não existem. O tempo se dobra, volto a ser criança. Risos e olhares atravessam minha andrógenia, palavras cortam como vidro. Bullying invisível, mas Dindin, o gatinho, brilha como ponto fixo, nos unindo.
O bondinho do Projaque flutua sobre concreto quebrado e nuvens de neon. Silêncio e caos se misturam. Eu e Dindin — apenas sombras, apenas nós.
PORTAS QUEIMAM, CRIANÇAS ESCAPAM
Me escondi de animatrônicos junto a uma mãe e sua filha que eu não conhecia. Eles não eram perigosos, apenas parte da atração. Bebi Fanta laranja, mastiguei pizza, vesti a fantasia do Freddy — tudo parecia normal, até que deixou de ser.
The Grabber apareceu. Um garoto foi capturado, um galão caiu, meu isqueiro escorregou das mãos. O garoto escapou. The Grabber não. Chamas queimaram suas pernas. Ele gritou, mas desapareceu entre o fogo.
Fugi. Minha mãe sumia de repente, me deixando sozinho a cada esquina. Agora, sinto a presença dele, queimado e irredento, rondando, sedento por vingança, enquanto tudo ao redor pulsa estranho, familiar e errado.
Comments
Displaying 5 of 5 comments ( View all | Add Comment )
kromantiya
isso é muito daora
Miguel Oliveira
CARA QUE SINISTRO! FICOU PHODA!
fico feliz que tenha gostado :)))
by P0rtao_Esquecido; ; Report
</al3x>
ISSO TA TAO BEM FEITO!!!!!
hehe.. vlw :)
by P0rtao_Esquecido; ; Report
Y3k_Nath
AGHH QUE SAUDADES EU TAVA DISSO!
hehe ((:
by P0rtao_Esquecido; ; Report
moguell_☥ 🇧🇷
Caralho, que foda. Você escreve muito bem
obrigado! :) em breve escreverei mais sonhos e pesadelos
by P0rtao_Esquecido; ; Report