"O Pequeno Príncipe", de Antoine de Saint-Exupéry, é singular e atemporal. Certamente, em sua infância, você ouviu falar dessa história ou a leu. No entanto, caso você não tenha lido novamente ou lido pela primeira vez, é muito importante que você o faça. Este livro é uma leitura para ser feita de tempos em tempos, a fim de nos lembrarmos de valorizar aquilo que realmente importa. Tal lembrete, desde 1943, ano da publicação do livro, tem sido feito pelo autor. Trata-se de uma obra repleta de simbolismos, metáforas e significado, apesar de sua linguagem acessível.
"O essencial é invisível aos olhos" e "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas" são frases presentes na obra que são muito famosas. Entretanto, talvez a fama não tenha lhe feito pensar no real significado que elas carregam. Em um mundo materialista, é comum que nós nos esqueçamos de refletir sobre o mundo ao nosso redor, e não somente sobre as frases citadas.
Sendo assim, debater apenas essas frases e colocá-las como resumo da obra não é suficiente! É preciso calma e reflexão. Por isso, creio eu, que esta história nunca se apagou, cativando milhares de leitores ao longo das décadas. Eu li novamente "O Pequeno Príncipe" e abordarei algumas lições provenientes deste livro que pude guardar para mim.
"Os homens? Acho que existem uns seis ou sete. Eu os notei há alguns anos. Mas não sabemos nunca onde encontrá-los. O vento os leva. Faltam a eles raízes, isso os incomoda muito."
Precisamos de uma base. Uma raiz. A fala acima, da rosa encontrada no deserto, carrega um significado muito único. Se não temos convicções, conexões, e damos mais importância a fenômenos que não a merecem, não estamos firmados. Em um mundo de relações efêmeras e voláteis, moldadas pelo desejo de possuir e vangloriar-se, compartilhar uma rede firme e sincera de conexões não fundamentadas em tais fatores, refletir sobre a vida, a humanidade e nossas ações e estar sempre aberto a diálogo são características diferenciais e que lhe fornecerão uma base sólida de vida.
Muitas vezes, pessoas buscam em tendências, identidades e produtos uma consolidação. Elas se enganam, acreditando que estão seguras. No entanto, sua ânsia por pertencer as torna mais voláteis que seus interesses. Para mim, isso é uma explicação para a pouca valorização de amizades sinceras, reflexão constante e polarização. Tornar-se eternamente responsável por aquilo que cativas não demonstra, apenas, que deve-se manter uma relação de cuidado mútuo para que se tenha amizades fiéis. É preciso empatia, uma raiz sólida e firme, convicções sobre o mundo e, acima de tudo, compaixão.
"É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas."
Os percalços da vida nos moldam e nos fortalecem, para que, assim, possamos desfrutas do que a vida tem de bom para oferecer-nos. Não há muito o que elaborar aqui, mas esta frase me chamou muito a atenção. E o que a vida tem de bom para nos dar não são meramente coisas materiais. Afinal, o essencial é invisível aos olhos. Precisamos dos laços humanos.
Cada planeta que o Pequeno Príncipe passa trata de um sentimento. O rei, que não tinha sobre o quê governar; o vaidoso, que não possuía nada para admirá-lo; o bêbado, que não possuía ninguém para envergonhá-lo além de si mesmo; o homem de negócios, que não possuía nada de verdade; o acendedor de lampiões, que realizava um trabalho sem sentido; e o geógrafo, que possuía a sua frente um vasto planeta para se explorar, mas não possuía a determinação de sair de seu escritório e contemplar com seus próprios olhos o que catalogava. Cada uma dessas personalidades não tem algo. Algo que os libertaria. Seja a humilhação, a determinação, ou, mesmo, a própria liberdade das amarras que os impedem de sair de seus planetas ou escritórios.
Estamos tão focados em nosso desempenho ou em obter conquistas que nos esquecemos do imenso mundo que nos foi dado para ser admirado, das pessoas que nos foram dadas para conviver... e nos tornamos tão sérios, tão tediosos...
É neste ponto que chegamos na discussão central do livro: não perca sua inocência e criatividade da infância, muito menos a admiração pelos fenômenos pequenos para os adultos. Um pôr do sol, um abraço, um silêncio aconchegante ao lado de quem você ama...
São tais fenômenos que tornam nossa existência significativa.
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