Hoje resolvi escrever porque, às vezes, colocar tudo em palavras é a única forma de organizar o mundo aqui dentro. Não aconteceu nada extraordinário, talvez seja justamente por isso que quis vir. O comum também merece registro.
Se tem algo que aprendi esse ano, é que ser pragmática não me tornou menos sensível. Só mais lúcida. Descobri que ser prática virou quase uma delicadeza comigo mesma: uma forma de não me perder nas tempestades que só eu enxergo.
O curioso é que, enquanto alguns acham que pragmatismo seca a alma, para mim ele fez o contrário. Deu espaço para que a alma não afogasse. Colocou cada coisa em um lugar onde eu pudesse alcançá-la sem me machucar. E foi assim que aprendi a lidar com meu jeito, pelo menos é o que penso, não com grandes gestos, mas com algo que eu possa dizer que é entendimento meu.
Escrevo, então, para deixar registrado: ser pragmática é só escolher continuar, mesmo que devagar. Uma forma silenciosa de cuidar de mim, mesmo quando quase esqueço.
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