Caminho devagar na noite fria,
onde o vento sussurra o que eu escondi.
Há memórias soltas pela ventania,
e cada uma ainda volta pra mim.
O céu derrama estrelas cansadas,
que caem como lágrimas sem direção.
E eu recolho luzes despedaçadas,
tentando costurar meu próprio coração.
Há beleza no que dói em silêncio,
há verdade no que o tempo levou.
Porque mesmo com o peito tão tenso,
cada passo diz que eu ainda sou.
Sou do escuro que abraça devagar,
da saudade que insiste em ficar,
e do poema que nasceu sem aviso
só pra me ensinar a respirar.
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