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A água que transborda de mim não vai alcançar suas raízes.
Por mais que você tente se estender, nunca me vai alcançar a vida. A vida que é imutável mas se renova a cada respiração a cada prova de que ela existe ainda mesmo não sendo suficiente para assumir a responsabilidade de um rio. O rio que umedece a terra, cheiro de ferro metálico.
A primeira morte é vermelha. Vermelha feito a terra
droga, não devia ter perdido meu hábito de escrever. nem sei o que estou escrevendo
algo sobre os símbolos de clarice. água como vida, sangue como rito de passagem. mas não devia escrever coisas sobre a vida porque já tenho minha conclusão imutável que sempre se renova. devia escrever sobre o que eu sinto. o que seria a mesma coisa de fazer tempestade em copo d'agua porque tudo que eu sinto é o mesmo oceano, mudando apenas as marés. o sal que vem junto com a corrente. sabor amargo na minha boca. é tudo azul. é tudo infinito em sua finitude. eu fico entre a areia e a profundidade. sendo atingido por uma onda diferente a cada vez. mas é tudo o mar. é tudo a mesma água. você se afoga. você está no fundo azul escuro sem luz e eu espero perceber isso, sentir você em meus pés mas eu só vejo o sal. apenas o sal. o seu sal talvez. mas é sal. a maresia me enjoa
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