Bemโฆ eu tinha um amigo que veio morar na minha cidade por um ano. Ele era realmente uma pessoa incrรญvel, divertido, leve, alguรฉm com quem eu amava estar. E era recรญproco. Nรณs fomos nos tornando cada vez mais prรณximos, atรฉ o ponto em que eu realmente podia chamรก-lo de meu melhor amigo.
Minha forma de demonstrar carinho sempre foi atravรฉs do toque. รs vezes eu encostava no braรงo dele, mexia de leve no cabelo, nada demais, apenas meu jeito natural de cuidar de quem eu gosto. E ele nunca pareceu incomodado; pelo contrรกrio, parecia confortรกvel, parecia entender.
Sรณ que, para as pessoas de fora, aquilo parecia outra coisa. Parecia que eu gostava dele โde outro jeitoโ, ainda mais pelo modo como eu o tratava. E tudo bem, eu estava acostumada com esse tipo de mal-entendido. Mas entรฃo, na รบltima semana antes de ele ir embora, algo mudou.
Ele passou dois dias andando com uma menina com quem eu nรฃo tinha mais tanta afinidade e ela nรฃo sabia nada sobre mim. No comeรงo do ano รฉramos amigas, mas ela se afastou com o tempo. E foi justamente ela quem disse a ele que eu gostava dele. Uma mentira. Uma suposiรงรฃo maldosa. E, por causa disso, ele comeรงou a me tratar com frieza, a me evitar, como se toda a nossa amizade fosse em vรฃo.
E assim, sem qualquer conversa, sem nem me olhar nos olhos, ele foi embora da cidade. Foi embora levando com ele a amizade que eu mais prezava, tudo por causa de uma mentira.
Eu perdi meu melhor amigo.
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