Que engraçado como a palavra "quase" prende mais do que "não" . Não sofremos pelo fim, e sim pela possibilidade. Pelo que parecia que ia acontecer, ou não acontecer. O quase é um corredor sem fim: você anda, anda, anda, e nada se abre. É expectativa prevista de esperança. Um semáforo amarelo. Um copo d'água que não mata a sede. Um jardim de flores que termina em espinhos.
O quase é traiçoeiro: dá o suficiente para continuar, mas nunca o bastante para realmente ser. E a gente cai iguais patinhos na arapuca, não por sermos bobos, mas por sermos humanos. Humanos amam do “e se...”, amam de imaginar que talvez amanhã mude, que talvez alguém volte, que talvez exista uma explicação, um tempo, um retorno.
O não faça, mas encerra.
O quase dói, mas prolonga.
E é nesse prolongar que ficamos presos, nesse meio disfarçado de começo, nesse território cinza onde tudo poderia ser, mas nada acontece.
E então, quando finalmente soltamos, percebemos: o quase nunca foi falta de esforço, nem falta de amor. Foi falta de verdade. Porque a vida não foi feita para ocupar metades, e o que é inteiro não hesita.
No fim, o quase não era um pouco demais para você.
Era só alguém que não era para ser.
E aceito isso não fecha uma porta, abre todas as outras.
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