Hoje eu finalmente reuni coragem para fazer o que o orgulho me impedia hรก tanto tempo. Pedi desculpas a uma amiga, nรฃo qualquer amiga, mas aquela que um dia foi um abrigo, e que eu mesma destruรญ com as minhas prรณprias mรฃos.
Falei tudo. Cada peso, cada erro, cada noite em que me odiei por ter sido quem fui. Um ano passou, mas a culpa nunca foi embora. Ela ficou ali, quieta, me corroendo devagar.
E quando as palavras saรญram, eu chorei.
Chorei por ter sido cruel, por ter machucado alguรฉm que sรณ me ofereceu carinho. Chorei porque percebi o quanto fui pequena, mesquinha, miserรกvel.
Mas chorei ainda mais quando ela me perdoou com uma doรงura que eu nรฃo merecia e disse que sentia minha falta.
Naquele momento, o peso que me acompanhava rachou, mas nรฃo desapareceu. Ela continua sendo uma amiga incrรญvel. E, por algum milagre, ainda enxerga algo bom em mim.
Depois de um ano, voltamos a nos falar.
E ร s vezes me pergunto o que teria sobrado de mim se eu tivesse continuado sendo aquela criatura orgulhosa e vazia.
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