eu me apaixonei pelos teus olhos,
mesmo sabendo que eles nunca olhariam pra mim.
é tipo acender um cigarro num quarto sem janelas,
a fumaça preenche o vazio, mas não traz ar.
tem horas que eu te olho nos olhos
e eu perco tudo, como quem cai no abismo
sabendo que não tem chão,
mas pula mesmo assim por teimosia, ou esperança.
platão desviou ter ficado quieto.
inventar o amor foi um erro filosófico,
um bagulho bonito só pra quem escreve,
uma tortura disfarçada de sonho.
cinismo não é mais estranho pra mim,
é meu calmante barato,
a droga que faz o tempo andar
enquanto eu finjo que tô bem
vendo seu nome apagar na tela e apagar logo depois.
e eu aposto que ele,
aquele que tem seu riso agora,
nem deve saber o que é sofrer de amor
mas se é assim,
ele tá condenado a vagar por lugares sem luar,
sem saber o gosto da dor que ensina,
sem entender o peso doce de um coração partido.
e tudo bem,
eu sei que sou admirada por uma merda igual eu
não é nada comparado a ser admirado por um cara como ele.
só que, no meio dessa desigualdade triste,
a minha verdade ainda queima
porque mesmo sendo pouco,
eu te amei de um jeito inteiro,
mesmo sabendo que esse amor nunca seria meu.
não fim,
te amar virou minha forma de morrer devagar,
sem drama, sem final bonito
só o som do silêncio,
e a lembrança de olhos
que nunca me viram de verdade.
e por fim,
todos os versos e escrituras,
cada linha que escreve no papel,
foram dedicados a você
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