sem nome

De novo me pego na frente do meu notebook, tentando por em palavras o que eu não consigo ao menos falar. Acho que no final, sempre acabo assim, sempre termino meu dia de uma forma melancólica. Não consigo nem me concentrar em escrever, isso é dilacerante, até porque, me sinto morta enquanto não escrevo. Quando escrevo, sinto que finalmente estou respirando, crio uma ilusão de que eu consigo domar minha mente, de que ela não é nada. Não sinto mais vontade de comer, de sair, de rir ou dar um sorriso, minha vida não possui mais um sentido, o passado é um caçador e eu sou uma presa, o presente logo vira passado e o futuro é algo sem importância (engraçado que até ano passado, ele era minha maior preocupação), meu quarto é um acalento, um abraço é uma preciosidade. O tempo não aparenta existir, meus dias possuem intervalos entre uma escuridão e outra, outro dia, eu só soube que era de noite por conta do relógio. Nem faz sentido um relógio em uma vida em que só há, sem tempo, sem medidas, apenas existe. As pessoas mandam eu procurar beleza na vida, mas em nenhum momento a chamei de feia. Não tem como. A vida é belíssima, vejo tanta beleza nela, não acredita que exista um defeito na vida, ela é angelical. Mas eu não me vejo um uma vida belíssima, a vida não precisa do meu olhar atento pra ser bela, eu sou insignificante perante a vida, ela só precisa dela. Acho que quando observamos demais ao nosso redor e percebemos que estamos lutando só por um velório e um caixão mais bonitos, viver parece algo tão sem razão, mas emocionante por causa do mesmo motivo e eu não sei explicar o porquê.


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