Ontem foi o dia mais insano do mês. Eu nunca mais bebo nada. Nada de vinho, nada de skol beats, e muito menos de ousadia. Tô escrevendo isso um dia depois porque ontem eu simplesmente não tinha estrutura. Cheguei em casa, tomei um banho no automático e dormi pesado. Fui acordar só no outro dia, com a cara amassada e a alma fora do corpo.Era pra ter sido só mais um dia. Segunda feira, última prova do bimestre, tudo certo. Fui bem em quase tudo, menos matemática, essa matéria me odeia e eu retribuo o sentimento com gosto.
Depois da prova, fui com a Maria Clara almoçar no shopping. A gente comeu no DDD 22, aquele restaurante que serve PF bem gostoso por um preço justo. Eu já tinha ido lá uns meses atrás e lembrava de um atendente bonito. Daqueles que a gente nota, mas finge costume. Dessa vez ele tava lá de novo. Barba feita, mais bonito ainda. E o pior, interagiu comigo e com a clara KKKKKK. Implicou comigo do nada, sabe aquele jeito descontraído de homem gostoso que faz piada de pai? Meio pagem de copas KKKKKKK? Desse jeitinho ele! Era um copo d'água e ele e eu ia pra debaixo da ponte.
Enquanto a gente comia, ele sentou do lado pra almoçar também. Não sei se ele tava ouvindo o que a gente falava ou se tava só prestando atenção em mim mesmo. Mas teve uma hora que ele olhou pra mim de um jeito muito específico, muito direto, e soltou uma risadinha. Nem sei se era sobre mim, mas pareceu. Quase perguntei o que foi. Quase.
Terminamos o almoço e logo depois a Flavinha chegou. A gente ficou ali mesmo, sentados nos bancos em frente ao restaurante, salivando discretamente enquanto olhavamos pra ele. Parecia até que a gente tava num comercial de perfume, só que a gente era o “antes” e ele o “depois”. Ficamos um tempo ali, igual pobre olhando vitrine de loja de luxo sem ter um centavo no bolso. Aí cansamos da humilhação e resolvemos andar pelo shopping.
Foi aí que demos de cara com a velha esquisita condronga que falou que eu e a clara íamos acabar inúteis igual os atendentes do McDonald’s se continuássemos colando nas provas. O detalhe é que ninguém tinha falado absolutamente nada sobre colar. A gente só ficou olhando pra cara dela e rindo que nem duas bestas. Rindo MUITO da cara de patachoca dela.
Maria Clara, inclusive, tá vivendo a era dos 16 dela com força. Tá conversando com três ao mesmo tempo e, de relance, se envolvendo em problemas maiores que o pau do João Gabriel, que segundo ela, é enorme KKKKKK. O problema da Clara é que ela não sabe ser piranha com convicção. Ela quer muito ser desejada, prometer mares e rios, mas no fundo só quer se sentir amada. Tá sendo uma bela de uma cuzona com o João Gabriel, inclusive. Ele é surtado, vive chamando ela de piranha e mais um monte de coisa quando se irrita, mas sempre gostou dela de um jeito sincero. Ela que não tá entregando o mesmo ultimamente.
Conclusão? Maria Clara disse pra mãe que ia almoçar na padaria e depois ia pra escola. Eu disse pros meus pais que ia resolver coisa do seminário e depois ia dar uma passada na praia. A gente só não esperava que o tempo ia passar daquele jeito. Quando vimos, já tinham se passado cinco horas como se fossem dez minutos. Giovanna e Flavinha foram com a gente, e juntas compramos duas garrafas de vinho de um litro, duas ousadias e uma Skol Beats. Maria Clara deu dois goles e já tava bêbada, repetindo a mesma música duzentas vezes: “chupa o bico do meu peito e mete com vontade”. Mandou mensagem pra ex, mandou áudio xingando, e eu já tava completamente maluco, caído na areia da praia falando coisa com coisa.
Admiro a Giovanna por lembrar de tudo que ela faz bêbada. Eu esqueço até meu nome. Saio falando o que dá na telha e depois não faço ideia do que saiu da minha boca. E eu tenho muito medo dessa coragem que a bebida dá. Medo real de falar algo que eu não devia, ou pior, coisa que nem sinto de verdade.
Da outra vez, no meu aniversário, falei que tinha fetiche em banheiro químico. ??? Até agora não sei da onde saiu isso. No outro dia a Giovanna veio me perguntar e eu respondi com a maior sinceridade do mundo, como se fosse algo que eu realmente tivesse refletido sobre na vida. KKKKKKKKK
No final do dia, Giovanna ficou tão bêbada que começou a chorar e gritar o nome do Isaque. Sim, o ex que traiu ela com a melhor amiga de dez anos. Essa parte eu lembro bem, porque eu já tava voltando ao meu estado quase normal. Me deu uma ânsia horrível, vontade de vomitar só de ver ela naquele estado. Acordei hoje destruído, com o estômago revirado, ressaca do caralho! Mas agora eu tô bem.
No fim, o João Gabriel apareceu na praia. Levou eu e a Giovanna pra casa. Ele foi um fofo, mas tomara que a gente não tenha falado nada que comprometesse a Clara no meio das conversas dentro do Uber...
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