Sotaque

eu definitivamente não faço a menor ideia de qual categoria esse blog se caracteriza. acabei por colocar no de "escola" pois está na parte de linguística... não haverá nada muito filosófico; é só para jogar papo fora.


eu nasci e vivo até hoje no estado de são paulo; não nasci na capital, e também não nasci no interior. fui criada na região metropolitana, especificamente na zona oeste. eu não sei como diabos, mas o meu sotaque é paulistano caipira (o que puxa o "R" muito foRte) e é notável o quão forte as palavras que contém a letra "R" no meio soam vindos da minha boca. minha vó é mineira, mas o seu sotaque é bem mais leve comparado ao meu; meu pai, minhas tias, meus amigos e quase TODOS ao meu redor, não têm um pingo de som caipira. logo, a minha pergunta é a seguinte: como eu consegui ter esse sotaque?! eu não interajo com os meus familiares mineiros, e nem os meus amigos de minas possuem isso tão claramente. isso é doideira! deve ter tido algum processo do qual eu não me recordo para eu falar dessa forma atualmente!

lembro-me que, em grande parte da minha vida, convivi com uma amiga sulista. falávamos todos os dias, e chegou ao ponto de eu pegar um pouco de seu sotaque. honestamente falando, as gírias ficaram mais na minha cabeça do que a própria entonação em si; mas muita gente me perguntava se eu fui criada no sul. há muito isso ocorreu, e hoje em dia tenho outro dialeto. não deixei de falar as gírias sulistas, porém como não está tão internalizado em mim como antes, não reparo se falo tanto assim hoje em dia.

milhares de pessoas (hipérbole) zombam de mim pelo meu sotaque, e possuo uma relação de gosto e desgosto por ele; há momentos que vejo como se fosse um "diferencial" meu, num sentido positivo, e há outros que eu controlo minha pronúncia só para não ter que ser zoada. antes, isso me era um problema enorme, mas hoje em dia, apesar de eu continuar a ter um pouco esses pensamentos negativos, aceito que é uma parte fonética minha. há como, sim, mudá-la; mas sinto que, se isso ocorrer, eu vou perder minha essência. no final, eu gosto de quando reparam nos meus errês fortíssimos e ficam enojados por eu não falar como eles (comum até hoje). o ser humano é bem esquisito...


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