Nana (1926)
Jean Renoir e sua maneira de pintar o espaço.
O início da consolidação da gramática do cinema, quando procurava-se estilos diferentes dos "cortes" para experimentar o que tem de melhor em uma câmera que captura múltiplas imagens que formam um vídeo, Jean Renoir procura o que os demais não tinham experimentado ainda, ou se tinha não sabiam do gosto que se tratava, Jean Renoir procura "pintar" os espaços na mise-en-scène.
O
Exemplo do que eu digo de "pintar" um espaço é nessa cena. Profundidade e ponto de fuga, a escada direciona o olhar a Nana, o poder de desejo nos admiradores mescla ainda mais essa fuga, Muffat está como uma figura maior, destacada mas também oculta já que ele está virado também para Nana, o mundo de cada se movimenta em um enquadramento que consegue capturar cada personagem na cena, é uma montagem que busca direcionar o olhar a Nana sem o uso de sombra, foco, destaque através de algum truque ou algo assim, o foco em nana está simplesmente na maneira em que o campo foi pintado, manipulado. Quando o corte acontece, você consegue ter um senso de continuidade no mesmo campo, de saber que existem alguém fora-da-tela e dentro da tela que Jean pinta, no filme ele trabalha esse senso de campo com maestria da qual posteriormente seria sua marca no cinema, Noel Burch considera ele como um dos primeiros a experimentar o conceito de "dois-espaços" isso dentro do cinema mudo onde o corte não se utiliza como um meio dramático como é usado nos filmes de D. W. Griffith, o corte aqui segue uma lógica técnica de explorar cada espaço do filme. É comum esse tipo de técnica nos filmes hoje em dia mas para aquela época, Jean explorava o desconhecido da qual consolidou anos mais tarde com o seu cinema e o cinema de Ozu. Eu diria que nesse filme, o espectador passou a ter mais atividade do que passividade.
Sobre os "dois-espaços" ao mesmo tempo que Jean pinta, ele apaga, o vazio do campo que cria a narrativa dramática no filme, não apenas e exclusivamente o corte que faz isso. Quanto mais tempo Jean deixa o espaço em vazio em algumas cenas de saídas e entradas, mais o espectador se encontra tenso, as atividades propriamente cria esse romance dentro de um simples enquadramento, de sequências de planos, é impressionante isso no cinema mudo. A graça é ressoar todos os campos, é um cinema que mostra coisas que você não vê, mas sabe que existe.
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