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Category: News and Politics

fascismo na internet

Algo que me estressa muito é a consolidação do neofascismo nas redes sociais. Minha pré-adolescência foi marcada pelos grupos de facebook e pela coroação do Bolsonaro como um grande líder em ascensão - como um mlk que estava entalado até o pescoço nesse tipo de lixo, afirmo: aquela época ainda era muito light. 

O período a qual me refiro (2017-2019) era repleto de gente desesperada por um Brasil melhor e traumatizada com os governos petistas - bom, ao menos traumatizada com a imagem que se consolidou desses governos. A social democracia ascendente dos anos 2000 já havia ruído a muito tempo neste período e só havia restado as consequências de mais uma crise do capital, além de uma nova direita em fase larval: o rosto da direita não era mais o PSDB e sim, aquele ser grotesco enaltecido pelos grupos supracitados e pelo CQC. Meu ponto é que, mesmo já sendo uma figura de massas, o Biroliro ainda não havia despertado todo o mal que ainda viria a se revelar nos anos seguintes - tampouco trabalha sozinho e muito menos é o cabeça por trás do movimento.

Utilizei a palavra "neofascismo" apenas para me situar, porém, não existe neofascismo. Essa turma misógina, homofóbica, revisionista e metida a sabe-tudo é puramente fascista, sim, tal como as massas alemãs, italianas e espanholas na primeira metade do século XX. O fascismo não é um evento isolado e muito menos um movimento (por mais que tenha tomado forma com o Mussolini), mas sim, um fenômeno auxiliar ao capitalismo quando este entra em falha. Logo, o fenômeno é cíclico e não faz sentido o catalogar como se fosse algo inovador do século XXI.

Pois bem, lembro-me do twitter em 2018: povoado por militantes da chamada esquerda light, energizados pelo Fora Temer e pela ascensão iminente do Bolsonaro. A impressão que dava, pra um garoto católico nerd fascistinha, era que aquele pessoal procurava sarna pra se coçar e estava chafurdado em desonestidade - ora, inúmeros escândalos de corrupção estourando por aí e aquela galera preocupada com os "viados"? com pronome neutro? querendo passar a mão na cabeça de bandido? - logo, fazia mais sentido apoiar os lendários e disruptivos bolsonaristas, aqueles que eram contra o sistema e só queriam manter a família brasileira cristã intacta.

Graças ao bom Deus, fui me desprendendo dessas ideias tortas - passando por uma fase de esquerda light até chegar a este revolucionário marxista morador de república estudantil e estudante universitário baiano. Pois bem, retorno ao twitter e encontro um ambiente totalmente novo. Ainda encontro uns militantes (agora felizmente mais críticos), mas engolidos pela imensa massa de bebês chorões fascistas. Fáceis de identificar: símbolos cristãos, bandeiras dos Estados Unidos, de Israel, da Ucrânia, do Nepal (???); emojis de onça somados as cores amarelas, brancas e pretas (símbolo do partido oficial dos cabaços); símbolos anticomunistas, entre outros. Esse bando de cueca é surreal de grotesco, são os nerds que sofriam bullying e não recebiam contato feminino (sei reconhecê-los pois me enquadrava no grupo anteriormente) guiados por políticos caricatos - um exército de otários.

Não consigo esconder minha preocupação para com o futuro da classe trabalhadora brasileira, mas, mais ainda, para com meu futuro enquanto professor de história. Encontrarei uma massa de crianças envenenadas com esse tipo de lixo e sem o menor senso crítico e curiosidade de aprender - obrigado, vício em telas - espero que essa nova galera seja milagrosamente mais disruptiva, seria um prazer enorme guiá-los no manual de como não ser um cabaço fascista manipulado pelas big techs. Na verdade, espero estar vivo até lá.


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Celeste

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muito bem colocado mano, realmente tá difícil esses tempos...


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